quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Minitexto #12

Se sua vida não é bela, posso lhe dizer
O que vou dar pra ela, e ser melhor para você
Sem brilho, está tão fosca, sem tudo o que tem
Se tem mancha, não ligue, é mancha tosca, pois o amor que vai é o amor que vem

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O mais enorme de todos os crimes

   Vinha caminhando pela rua antiga, os passos não estavam mais em sincronia e a rua estava toda destruída, com o mato nascendo pelas entranhas de suas rachaduras. Cabisbaixo, seus olhos baixos e a lágrima que saía tímida de um deles denunciava que as coisas não iam bem naquele lado do mundo. Não almejava olhar para frente, não desejava apreciar a paisagem de grama, capim, e nada mais, que simplesmente enfeitavam e embelezavam tudo o que se pudesse chamar de natureza naquele lado do mundo. Andava devagar. Velocidade seria burrice, voltou rapidamente à infância, quando as professorinhas na escola diziam que é devagar que se vai longe.
   Mas ele não queria ir perto, não queria ir longe. Estava arrependido, estava mal. Nunca tinha se sentido tão daquela maneira quando se viu solto de tudo e todos que mais amava da forma mais cruel possível. E a culpa era dele mesmo. Como poderia ter sido tão tolo? Não sabia. Olhava apenas para o chão próximo aos seus pés que já andavam desconexos por causa da falta de preocupação com nada a não ser a culpa maior que sentia em estar daquele jeito: vivo. 
   E seus passos ficavam mais lentos, a visão se enturveceu. Nesse momentos vieram todos os momentos que ele deveria ter abraçado, e todos os momentos que com certeza deveria ter deixado trancados num mundo que não era daquele lado do mundo onde ele estava agora, sofrendo, com seu corpo mergulhado numa angústia completamente desconhecida, enquanto a dor daquilo que não mais conhecia o afligia durante o que os físicos chamam de lei da gravidade: a queda.
   Ele ainda estava tentando entender, mas não dava mais tempo. Sim, ele se fechou, ele cometeu o mais enorme de todos os crimes. E agora não podia voltar mais.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Insignificância Significante

De sete mil milhões, sou apenas mais um, numa esfera que está numa distância segura de uma bola de fogo gigante, e isso me permite estar vivo. De sete mil milhões, sou apenas mais um perdido no espaço de um tempo que só anda para frente, e tenho que me conformar com isso. De sete mil milhões, sou apenas mais um que faz parte dessa gigantesca coisa chamada mundo. De sete mil milhões, sou apenas mais um, um ponto entre tantos, que faz parte de outro ponto entre tantos outros, nessa coia chamada Universo. De sete mil milhões, sou apenas mais um, significante insignificante, capaz de fazer a diferença mesmo sendo um ponto que vive num ponto. Porque a vida é isso, são sete mil milhões de vidas de uma única espécie, onde cada um, junto aos milhares de enésimos milhões de vidas que há nesse pequeno ponto, faz a diferença. Assim como esse pequeno ponto que vivemos faz a diferença também. Existiriam milhares de enésimos milhões de pontos como esses espalhados pelos cantos do Universo? Por que não? 

domingo, 5 de agosto de 2012

Minitexto #10

Luz, som, festa! Que rufem os tambores, está chegando a hora
A hora vai passando, vai passando
Já amanheceu a dor no corpo, promete não fazer aquilo mais
E na outra semana... Luz, som, festa!
(...)